quinta-feira, 7 de abril de 2011

A disciplina que não está no currículo

Existe algo que não aprendemos nos livros. O professor, em sua formação acadêmica, não o encontra como um dos requisitos da licenciatura. O aluno, almejando vôos sempre altos, sonhando com o mais celeste dos ideais, não realiza precisar aprender tal questão. Ninguém é avaliado neste sentido. Não há, em nenhuma estrutura curricular, em nenhuma ementa, esse tópico. Entretanto, no dia 07 de abril de 2011, alunos e professores foram expostos a uma vivência em sala de aula diferente de todo o planejamento e conteúdo a ser ministrado. Neste dia de quinta-feira e de luto, as flores choram o sangue derramado por seres aprendentes, vítimas de um outro que, em sua aprendizagem, não se sabe o que aprendeu.


A educação tão bela e magnânima no discurso perde hoje um pouco do norte por não cumprir seu maior papel na sociedade – educar. Uma pergunta paira sobre as mentes daqueles que se empenham em buscar respostas: por que a escola, lugar sacramentado no curso histórico, é alvo de tamanhas atrocidades? Por que o ambiente onde o belo é apresentado em essência presencia o caos? O que estamos aprendendo e ensinando aos nossos filhos? Por que o maior símbolo de esperança – a juventude – é massacrada? Onde está a educação? Será que somente nos livros que tanto exaltamos?


???


As pessoas no seu curso histórico foram movidas por perguntas. Muitas delas, acreditamos terem sido respondidas e as compreendemos como verdade. As verdades, todavia, precisam ser mais que um local de deleite. Elas devem construir e transformar realidades.


Hoje, o mestre chora, pois não obteve êxito no seu papel e o discípulo retornou para mostrar o que aprendeu. Manchou de vermelho o solo sagrado do conhecimento e os corações e mentes do futuro ainda no botão. O mestre não cursou uma das disciplinas mais importantes. Essa disciplina realmente não consta em nenhum currículo, nem mesmo o mais requintado. Isso porque ela não é ministrada por um indivíduo. Seu domínio requer competências superiores aos planejamentos pedagógicos.


É diante de tamanho gigante que devemos encostar os joelhos no chão. Recolher os olhos e admitir nossa pequenez diante da vida que nos ensina a maior lição: somos todos educadores e aprendentes. Precisamos saber o que ensinamos e o que aprendemos. Somos responsáveis um pelo outro, já que a aprendizagem é construída. Assim, procure construir sempre edifícios sólidos, com alicerce, boas paredes e teto resistente. Caso contrário, um dia, talvez, eles podem cair sobre a sua cabeça e de outros também. Não somos, no entanto, heróis capazes de mudar o mundo. Somos seres humanos, cujas limitações são diversas, mas capazes de desenvolver um potencial plenamente condizente com o bem comum.



Jeane Andrade Gomes, 07de abril de 2011.

6 comentários:

  1. Que bela reflexão!!!
    Pois é... A educação está perdendo seu rumo porque envolta em conteúdos programáticos, exames, desempenhos a serem medidos... está se esquecendo da pessoa com a qual se interage diariamente e a qual não se conhece verdadeiramente...
    Que este infeliz exemplo nos faça refletir sobre nossas prioridades dentro da escola onde trabalhamos.

    ResponderExcluir
  2. Precisamos nos notar como educadores além paredes escolares... E seria tão bom se todos se percebessem enquanto tais, pois a todo momento alguém está aprendendo algo. Justamnete por isso a questão: o que a sociedade está ensinando aos seus filhos?

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. A escola apesar de portadora de significado e importância crucial para formação e propagação de ideais de cidadania, autonomia e de entendimento entre as pessoas, não pode ser culpada ou, ao menos, tomada como ponto inicial da falência de uma sociedade. Seria um engano ingênuo acreditar nisso. Não nego que parte substancial do fracasso do Brasil como nação independente e humanizada está atrelada a ruina e semiabandono de parte substancial de nossas instituições de ensino, mas, infelizmente, não é apenas solucionando as mazelas da escola que retiraremos o país e nossa sociedade do caos. Isso se realmente for possível à manutenção ou fomentação de uma escola que preze pela autonomia e liberdade de seus formandos, for possível numa nação fracassada, que tem seus cidadãos levados cotidianamente em direção a apatia, desprezo pelo próximo e empobrecimento cultural e de uma suposta capacidade reflexiva que é, por muitas vezes, elevada a condição primordial e diferencial do humano perante os demais seres. Talvez o ponto arquimediano da questão se situe equilibrado nos paradigmas adotados pela educação escolar, porém, se faz necessário esforço que engloba outros setores, como a boa e velha participação política, fim de um processo de alienação da condição humana, desenvolvimento de espaços que possibilitem autonomia e liberdade, além de eliminação de formas seculares de preconceitos. O que me espanta não são essas tragédias ocasionais, aliás, acho inclusive que essas ocorrem numa proporção menor do que o esperado, mas sim o fato de nossa sociedade continuar se sustentando numa linha muitas vezes irreconhecível entre normalidade e patologia.

    ResponderExcluir
  6. Parabéns ao grupo de estudo Seppeja assim como pela iniciativa da formação para os futuros educadores no segmento Eja.

    Eloina Lima Alves
    Pedagoga

    ResponderExcluir